O corpo tem limite, e isso muda a conversa sobre emagrecimento
- Isabel Debatin

- há 2 dias
- 2 min de leitura

Você já percebeu como a lógica do emagrecimento quase sempre é a mesma?
Se não está funcionando, faça mais. Treine mais. Corte mais. Force mais.
Só que um estudo recente, citado em uma matéria da Exame, mostrou algo que parece simples, mas muda bastante coisa: o corpo humano tem um limite para queimar calorias. Existe um teto metabólico. Não importa o quanto a gente aumente a atividade física, chega um ponto em que o organismo simplesmente não responde além daquilo.
E isso desmonta aquela ideia de que resultado depende apenas de esforço.
A cultura do corpo, especialmente agora com o retorno da magreza extrema como tendência, continua reforçando a mensagem de que basta disciplina. Mas disciplina não altera limites biológicos. O metabolismo não funciona no ritmo da pressão estética.
Antes, a comparação vinha das revistas e das passarelas. Hoje ela chega o tempo todo pelo celular. Corpos definidos, rotinas perfeitas, promessas de transformação rápida. E, no meio disso, cresce também o mercado das soluções fáceis: medicamentos sem acompanhamento, canetas compradas fora do país, métodos que prometem perder 10 quilos em poucos dias.
É aqui que a conversa precisa ficar séria.
Cuidar do corpo é uma coisa. Radicalizar é outra. Exercício físico orientado, alimentação equilibrada e acompanhamento médico são caminhos seguros. Mas quando a busca pelo resultado ignora a saúde, o risco deixa de ser estético e passa a ser clínico.
O estudo não fala sobre autoestima. Ele fala sobre biologia. Sobre limite fisiológico. E talvez seja justamente isso que esteja faltando na discussão: entender que o corpo não é um projeto infinito de ajuste.
Em um cenário em que a comparação é constante, vale uma pergunta simples antes de seguir qualquer promessa: isso respeita o meu corpo ou tenta forçá-lo além do que ele suporta?
Buscar bem-estar é legítimo. Mas ele precisa incluir responsabilidade, física e mental.



Comentários